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sábado, 14 de fevereiro de 2009

A manipulação midiática

É motivado por legados como o de Perseu Abramo, que o blog, Exílio Midiático, está procurando desenvolver um espaço capaz de dialogar com a realidade e aprofundar o pensamento crítico e reflexivo dos diversos elementos que compõem a sociedade e a mídia. Para tanto, não se pode ignorar o papel perverso das grandes corporações, transformadas, de forma cruel, em instâncias partidárias, defensoras dos poderes institucionalizados e do capital financeiro.

É somente dialogando com a realidade que torna-se possível encontrar as palavras que constroem o universo humano e democratizam as relações sociais para, assim, combater a mercantilização da informação e possibilitar uma participação efetiva na contrução do saber.

Como dizia o jornalista Perseu Abramo:
"Recriando a realidade à sua maneira e de acordo com seus interesses político-partidário, os órgãos de comunicação aprisionam os seus leitores neste círculo de ferro da realidade irreal, e sobre ele exercem o seu poder"

Portanto, cabe a cada um de nós, construtores e protagonistas de nossa própria história, e, principalmente, responsáveis pela transformação desse modelo atual, exercido nas grandes corporações midiáticas, questionarmos o que está sendo vendido como a única e objetiva revelação do fato noticiado.

É relevante prestar atenção se a voz que fala, as lentes que filmam e as palavras que ocupam as folhas dos jornais estão reproduzindo a única verdade que interessa a sociedade: aquela que se constrói a partir da vivência e da prática política e social.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A águia e a galinha habitam em cada um de nós

A história que reproduzo, logo abaixo, diz respeito a James Aggery, político e educador ganense que, certa feita, contribuiu para mudar a realidade social dos oprimidos de seu país. Em meio à acalorados discursos entre lideranças populares de Gana, Aggery discorreu contra a opressão de seu povo, à época sob domínio colonial da Inglaterra.



No livro, "A águia e a galinha", o teólogo Leonardo Boff vai além da explicação deste fato histórico. Busca confrontar os fundamentos da existência humana e as condições que determiam o que somos, além de evidenciar a potencialidade do que podemos ser, caso estejamos dispostos a desvincilharmo-nos de imposições psicolócgicas, sociais, políticas e econômicas.

Porém, aqui, neste curto espaço, será apenas apresentada a história que James Aggery contou aos seus compatriotas. Sua intenção era levá-los a lutar pela liberdade, que veio em 1949, após intensas lutas do Partido da Convenção do Povo, liderado por Kwame N'Krumah. Gana foi a primeira colônia inglesa a conquistar a independência. Esta história se fez pela liberdade de consciência do povo e pelo trabalho árduo de Aggery em mostrar que isso era possível.

Assim disse o educador aos seus companheiros:

“Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros.

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: - Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.

- De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.

- Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.

- Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:

– Já que de fato você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.

O camponês comentou:

– Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha! – Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã. No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurou-lhe:

– Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe! Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.

O camponês sorriu e voltou à carga:

– Eu lhe havia dito, ela virou galinha! – Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: – Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra as suas asas e voe!

A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.

Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou… voou… até confundir-se com o azul do firmamento…”

E Aggrey terminou conclamando:

- Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Última parte da resenha

DO REFORMISMO À LUTA ARMADA

Em artigo publicado em Novos Rumos no final de 1962 e intitulado “Golpe, imperialismo e democracia”, Mário Alves dá mais uma mostra da sua extraordinária lucidez analítica. Considera que “a partir da renúncia de Jânio foi rompida a relativa estabilidade política do País, que mergulhou a partir de então num período de sucessivas crises de governo, de agudos choques entre as forças detentoras do poder e de manifestações enérgicas de descontentamento das massas”.

Como solução pregava a unidade e a mobilização mais intensa das forças básicas da revolução brasileira, das grandes massas trabalhadoras e populares para garantir a vitória da luta pela libertação e pelo progresso. Apagava incêndio com querosene, assumindo, então, uma linha cada vez mais à esquerda das posições do secretário-geral do PCB.

E o racha do PCB chegou junto com o Golpe Militar. Ainda em abril de 1964, Mário escreveu “Esquema para discussão”, primeiro documento do PCB sob o novo regime responsabilizando o pacifismo de Prestes pela rendição sem resistência.

A resposta de Prestes veio no mesmo momento da primeira prisão de Mário Alves, coincidentemente após a apreensão de documentos feita na casa do secretário-geral, e que resultou na prisão de inúmeros quadros comunistas.

Durante a “ausência” de Mário, o Comitê Central aprovou documento que o responsabilizava, junto com Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho e Manoel Jover Telles, dentre outras lideranças, pelos “desvios de esquerda”, pela superestimação precipitada das próprias forças, avaliação exagerada das possibilidades objetivas, ações precipitadas, isolamento das massas, sectarismo e por aí vai ladeira abaixo.

Nascia assim o bloco de oposição a Prestes conhecido como Corrente Revolucionária, que mobilizava a maior parte dos núcleos ativos do PCB e que tinha como lideranças, além dos nomes já citados, Marighella e Câmara Ferreira.

Na realidade, sob o pretexto de procurar culpados pelo golpe militar, os comunistas disputavam a direção do PCB, principal organização da fracionada esquerda brasileira.

Foi justamente Marighella quem implodiu a luta interna ao comparecer a uma reunião da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) em Cuba sem autorização do PCB. Na oportunidade, fez ainda um pronunciamento pelo rádio criticando o pacifismo do partido e anunciando sua disposição para iniciar a guerrilha no Brasil.

Em resposta, o Comitê Central emitiu resolução expulsando o dirigente e, no mês de dezembro do mesmo ano, completou a limpeza ideológica expulsando os demais líderes da corrente.

Desmantelado o grupo, abria-se o caminho da resistência armada à ditadura militar. Assim, em 1968, Marighella organiza a Ação Libertadora Nacional (ALN). Mário Alves, Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho e outros companheiros, criam, no mesmo ano, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Já os comunistas da Dissidência da Guanabara fundam o Movimento Revolucionário 08 de Outubro (MR-8).

O historiador defende que, independente do ponto de vista que se parta, não se pode dissociar os avanços democráticos posteriores das incursões da esquerda pela luta armada, seja para justificar um possível atraso na abertura do regime ou entender o tortuoso processo de revisão política em que todos os setores se viram mergulhados pela imposição dos fatos.

Se a opção da luta armada mostrou-se adiante como um trágico erro tático, por outro, era o caminho mais digno para aqueles que guardavam a chama da revolução socialista acesa na mente e no coração.

Para a repressão, passou a ser uma questão prioritária a eliminação física de lideranças como Mário Alves e Marighella tanto pelo passado de lutas como pela grandeza moral e, sobretudo, pelo exemplo pessoal que representavam para os comunistas. Principalmente Mário Alves, considerado pelo autor o quadro mais consistente, combativo e capaz que a esquerda do PCB conseguiu gerar ao longo de sua história.

Passados 39 anos de sua morte, muitos dos desafios enfrentados pelo PCB – política de alianças com setores da burguesia nacional e internacional, neocaudilhismo, reformas de base, perda do horizonte e da praxis socialistas, etc - continuam postos para a esquerda brasileira. A boa notícia trazida por Gustavo Falcón é que Mário Alves continua vivo.

# José Falcón Lopes é jornalista.

Confira todas as postagens sobre o Livro:

Livro de Gustavo Fálcon mantém viva a luta e a trajetória política de Mário Alves

Leia a "orelha" do livro de Gustavo Falcón

Resenha do livro: Parte 1

Resenha do livro: Parte 2

Resenha do livro Parte 3

Crise para quem precisa

Constantemente presenciamos situações em que as pessoas são taxadas de "despreparadas" ou "incapazes", frente a demanda do mercado de trabalho. As demissões em massa atingem não só os grandes centros de produção do capital, mas, também, agridem a já devastada e empobrecida América Latina.

Quando se produz é importante questionar: - se produz o quê? Para quem? Quando se consome é um pouco mais complexo: - se consome o quê? Com que necessidade? E, principalmente: - por quê?

Não somos instruídos a refletir sobre situações vivenciadas em nosso cotidiano. Isso acaba fazendo com que nos alienemos dos processos pelos quais iremos sofrer as conseqüências logo ali adiante. É aquela velha história, após ser explorada pelos colonizadores europeus, a "massa humana" da latino América, tornou-se descartável. Como descartável foram, e são, todos aqueles que deram a vida nas minas de ouro e de prata para enriquecer as nações do velho continente.

O tempo passou e o solo reclamou as consequências. Como, por exemplo, o nordeste, que, chorando, mostrou-se ao mundo como "a região das savanas". Quem diria que lá era o local mais abençoado pelas chuvas no Brasil? Mas os colonizadores conseguiram esterelizar estas terras com as plantações de açúcar.

A importância de libertar a consciência

Julgar e atribuir opinião a determinadas situações exige conhecê-las. Infelizmente nem todos pensam assim. Como desconsiderar nossas origens e as características que formam a nossa maneira de pensar e de agir perante as adversidades?

Em suma, o processo de libertação dos oprimidos, tão distante dos cliques das máquinas, do foco das câmeras e dos olhos da nação - quando o assunto não diz respeito à violência ou tragédia - passa, necessariamente, por uma mudança na forma como cada um se enxerga no mundo e potencializa a sua existência. Não adianta fechar os olhos. A disputa entre a opulência e a miséria está escancarada há séculos. Agora só está, também, batendo às nossas portas. Em breve ela vai sentar-se à sala. Será difícil rejeitá-la.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Blog do Arte Daqui está no ar

Está no ar e, em constante atualização, o blog do projeto Arte Daqui III. Este é mais um espaço para que se conheça a cena musical da cidade de Pelotas. A diversidade cultural, presente na princesa do sul, está a flor da pele, e, agora, conta com a possibilidade de ser divulgada, via internet, para todo o mundo.

Acessando: www.artedaqui.blogspot.com, é possível ter contato com a arte e a história dos músicos que compõem a terceira edição do projeto desenvolvido pela RádioCom. Ainda em fase de conclusão, o blog já conta com a divulgação do trabalho daqueles músicos que enviaram seus dados para serem atualizados na rede mundial de computadores.

Além de ser uma forma de conhecer melhor cada um dos 19 participantes do projeto, o blog é um espaço para aquelas pessoas que procuram discutir a arte local e tem sede de beber dessa cultura.

Programa Arte Daqui

Desde o dia 23 de janeiro de 2009, é possível acompanhar ao vivo na RádioCom 104.5 fm, inclusive via internet, ( BASTA CLICAR AQUI ), o programa Arte Daqui. Ele vai ao ar todas as sextas, das 21h às 21h30 e conta com a produção e apresentação de Valder Valeirão e Sulimar Rass.

Saiba mais:

Entre no blog do projeto Arte Daqui III

Acesse o site da RádioCom

Confira o post no Exílio Midiático falando sobre o ARTE DAQUI III - Pelotas-RS


Músicos que fazem parte do Arte Daqui, volume III

JULINHO PINHEIRO - MAIAWI
VIRGINIA MACHADO - CANTAR
GILBERTO ISQUIERDO - VIDA
GILBERTO OLIVEIRA - NAVIO NEGREIRO
REGGAE DA LUTA - PAZ AMOR E JUSTIÇA
GIAMARE - UM CANTO PA OCE
MARCELINHO RAPPER - CONVERSA COM GUEVARA
PIMENTA BUENA - CANEAVALE
SOVACO DE COBRA - BREJEIRO
FREDERICO VIANA - QUANDO O VERSO NÃO VEM
RO BJERCK - TEMPO DE ESPERA
SUPREMA ORDEM - FORÇAS E FORMAS
ALOISIO ROCHAMBACK - LUGAR INCOMUM
O ZE E TATU - IASSAIR
JOAO MANTOVANI - OLHO DO DRAGAO
UNIVERSO PARALELO - FORTALEZA
VAN ZULLAT - SAMBA JACARE
AGUA DE MELISSA - SOL DE NASCER
PRETA G - NEGRA GUERREIRA

As mais lidas durante a passagem pelo Exílio

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