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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sobre a paixão no futebol e o sensacionalismo da RBS

Não planejava escrever nada sobre o acidente que ocorreu com a delegação do Brasil de Pelotas, há exatamente um ano atrás. Como Xavante de nascença e certo de que este sentimento me acompanhará até mesmo depois da morte, caso isso seja possível, estava receoso de cair no tradicional sensacionalismo. Presente em quase todos os textos, vídeos e áudios sobre temas como esse.

No entanto, certo de que preciso fazer um registro do que sinto, acabo por despreocupar-me com possíveis equívocos que possa vir a cometer. Conversando com alguns amigos e acompanhando de perto as reportagens que falam sobre a tragédia que vitimou os jogadores Cláudio Milar e Régis Gôuvea, além do preparador de goleiros Giovani Guimarães, percebo que existem sentimentos diferentes com relação a abordagem da mídia e, também, algo que acho fundamental: o impacto produzido nos torcedores.

No site oficial do Grêmio Esportivo Brasil a mensagem é positiva. A campanha lançada pelo clube é de superação - 15 de janeiro de 2009: o dia que SUPERAMOS - já em algumas abordagens midiáticas, sobretudo nas reportagens televisivas da RBS, o sentimento ainda é de sofrimento. Claro que ainda dói, alguém duvida disso? Pois é, se dói em nós torcedores, imagina a dor da perda para os parentes dessas pessoas. Antes de serem profissionais ou ídolos, as vítimas eram filhos, irmãos, pais e amigos.

Por isso, embora não surpreenda, causa um certo incômodo assistir à reportagens onde são entrevistados o pai de Cláudio Milar, a mãe do ex-zaguerio Régis e a irmã do preparador de goleiros Giovani Guimarães. A forma como é construída a matéria supera a idéia do "espetáculo midiático", beira a irresponsabilidade. Anunciada desde o início do Jornal do Almoço como destaque da edição de hoje, a reportagem da RBS chamava a atenção para o "pai de Cláudio Milar, que rompera o silêncio um ano após o acidente"; "a esposa de Milar, ainda sem conseguir falar sobre o assunto" e, a mãe de Régis, visivelmente emocionada, dizendo: "ainda está muito difícil superar a tragédia e a saudade aumenta a cada dia".

Nós, torcedores do Brasil, preferimos a mensagem passada pela direção Xavante. No entanto, infelizmente, a visão do clube ganhou pouco destaque na emissora da familia Sirotsky. "A torcida mais alegre do estado teve um dia de tristeza...", assim anunciou-se a reportagem. A estratégia utilizada pelo principal grupo de comunicação do Rio Grande do Sul contradiz a mensagem da direção do clube. Inclusive, ao falar com o repórter, um torcedor afirma: "É hora de seguir em frente. O Brasil não é um time que tem uma torcida, é uma torcida que tem um time", o tom é de entusiasmo, de superação.

A tragédia ficou no passado. Sentimos e, com certeza, sempre sentiremos muita saudade dos profissionais que se foram. Mas nada comparado ao sentimento das famílias destes homens. Elas merecem ser respeitadas. Não é justo que o sofrimento dos familiares seja manipulado em busca de audiência. O sentimento que nutrimos por esse clube é impossível de ser explicado em poucos minutos de exposição midiática. É uma vontade de vencer mais do que partidas, uma ânsia em superar as impossibilidades criadas pelo mercado do futebol, responsável direto por condenar os clubes do interior a meros coadjuvantes dos times da capital.

Seria bom se a grande mídia desse valor ao nosso maior título: a SUPERAÇÃO. Não me refiro só a tragédia, mas a todas as dificuldades enfrentadas, constantemente, pela nação rubro-negra e demais times do interior gaúcho. No campo, continuaremos lutando para chegar no lugar que é nosso por direito. Fora dele, exigimos respeito aos que se foram, as suas famílias e à nossa paixão, que não é mercadoria para ser vendida como mais um produto da RBS.

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