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domingo, 9 de janeiro de 2011

Fabricando heróis e bandidos na sociedade da informação

Passado o réveillon, ou, como diriam os franceses, réveiller – termo utilizado para avisar a chegada de um novo ano, deixando para trás as intempéries do anterior –, ficam os famosos "balanços". Para não fugir à regra, no mesmo período as revistas de circulação mundial, como a norte-americana Time, elegem as chamadas "personalidades do ano". Na carona desta avaliação "inequívoca", grupos de comunicação de todo o mundo, afinados com a linha editorial de uma das principais publicações estadunidenses, reproduzem a novidade e contribuem para fazer emergir um discurso único sobre quem são as mais destacadas celebridades do planeta.

Prova disso é a postura adotada pelas grandes redes de televisão do Brasil, cujas ligações, em termos de compromissos, responsabilidades e interesses, são bem conhecidas, como atestam a história e, no cotidiano, os televisores espalhados por todo o país. Tão logo a Time divulgou a escolha de Mark Zuckerberg, percursor do rentável Facebook, como "personalidade do ano", os noticiários das emissoras brasileiras já trataram de multiplicar a informação. Assim, um aspecto importante do fato não foi evidenciado, já que o voto dos internautas teve outro veredicto, consagrando o criador do site WikiLeaks, Julian Assange, como o grande nome de 2010.

A escolha por Zuckerberg é fruto de um posicionamento mercadológico, condizente com a dialética da sociedade da informação. Amparados nas premissas da burguesia liberal francesa de 1789, que exaltava os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, os apologistas tecnológicos da grande mídia de hoje enxergam nas redes sociais espaços de materialidade do progresso tecnológico, esquecendo-se de citar os conflitos inerentes a esse processo. Demonstrando a incoerência da sua linha editorial, supostamente baseada em um jornalismo "democrático e interativo", a Time concedeu a Assange o título de "pessoa (não grata) do ano". Na web, em sentido contrário, os leitores do semanário depositaram mais de 380 mil votos para o fundador do site de denúncias WikiLeaks, elegendo-o como o nome de maior destaque neste primeiro decênio do século 21.

Comércio lucrativo das mídias digitais

Mark Zuckerberg é norte-americano, tem 26 anos, graduou-se em programação de computadores em Harvard e tem uma carreira promissora pela frente. Ficou conhecido por fundar a maior rede social do mundo, com 500 milhões de usuários. No entanto, carrega nas costas o peso de pelo menos duas ações judiciais que colocam em xeque todo o brilhantismo a ele concedido nestes seis anos de existência do Facebook. O australiano Julian Assange tem 39 anos e é um aficionado por programação de computadores desde criança. Estudou matemática e física, passando por diversas escolas e universidades do seu país de origem, mas em sua formação prevalece uma cultura autodidata.

Assange atende pela alcunha de hacker, termo ainda pouco esclarecido no Brasil, usado para designar ativistas da internet com capacitação técnica em burlar códigos criptografados de sistemas de informação computadorizada. No entanto, esta atividade é realizada sem danificar máquinas ou alterar dados contidos nos computadores – conduzida assim, no mais das vezes, para confrontar invasores maldosos. Trata-se, portanto, de uma ação preventiva, comumente confundida com a obra dos chamados crackers, os quais quebram sistemas de segurança com o objetivo oposto, ou seja, cometer atos delituosos.

Conforme os noticiários de todo o mundo têm publicado, o criador do WikiLeaks fez muitos inimigos ao longo de sua trajetória. No entanto, manteve-se firme no ideal de utilizar a internet como espaço de denúncia dos crimes cometidos pelos governos de turno. Abriu espaço para que pessoas comuns pudessem divulgar vídeos, imagens e textos na web, atestando contra os mais variados casos de abuso do poder. Em função disso, Assange sofre uma campanha de difamação, promovida sobretudo pelo governo norte-americano, delatado em cerca de 250 mil documentos diplomáticos.

Na contramão desta guerrilha cibernética, estão as redes sociais, ambientes destinados na maior parte das vezes à simples troca de conteúdos e ampliação de circuitos para contatos e negócios. Diante disso, Zuckerberg aparece como a versão idealizada do empreendedor bem-sucedido da sociedade da informação. É reverenciado por desenvolver um sistema capaz de aproximar pessoas de todo o mundo, diminuindo não só as distâncias geográficas, mas abrindo as brechas necessárias para colocar em prática novos instrumentos e recursos tecnológicos, fomentando o lucrativo comércio das mídias digitais.

Protagonismo dos visionários

Neste cenário de absoluto desprezo pela ação militante da cibercultura, Assange é visto como excêntrico e inimigo da democracia burguesa. Descrito como altamente perigoso, o hacker coloca em prática os preceitos básicos do verdadeiro jornalismo. Nesse ínterim, acaba sendo acusado de "crimes sexuais" para ser desmoralizado e, após pagar a fiança, é libertado de seu cativeiro político proclamando que irá acelerar a divulgação de documentos secretos, os quais não deixaram de ser publicados em função de sua ausência.

Embora esteja respondendo judicialmente a uma série de acusações, Zuckerberg em momento algum é colocado no banco dos réus pela mídia capitalista, como feito com Assange. Mas deveria, pois os gêmeos Tyler e Cameron Winklevoss acusam-no de roubar a ideia de criação do Facebook, colocando em discussão a problemática dos direitos autorais. Em um primeiro processo, movido em 2008, a dupla, que se diz injustiçada por Zuckerberg, recebeu US$ 65 milhões de indenização. Com a primeira vitória, os advogados alegam que a quantia não é suficiente e ingressaram outra vez na Justiça no início de dezembro passado.

Mas os problemas do garoto-prodígio de Harvard não param por aí. Ele mantém ainda como desafeto o brasileiro Eduardo Saverin, que participou da criação do site de relacionamentos como diretor financeiro e acabou processado por cobrar sua fatia do bolo, sob a alegação de "estar interferindo nos negócios da empresa". Saverin foi o responsável pelo investimento inicial de US$ 1 mil, dando o pontapé inicial na operacionalização do Facebook. Ele era amigo íntimo de Zuckerberg, mas quando o interesse econômico se sobrepôs, o afeto acabou sendo posto de lado, restando também ao brasileiro processar seu antigo sócio, o que lhe rendeu 5% de ganhos na empresa e uma quantia suficiente para viver como milionário. Tudo isso é retratado no filme A Rede Social, dirigido por David Fincher, que conta a história de criação do site de relacionamentos mais popular do mundo.

Resta ao público e ao júri popular que nomeou Assange, e não Zuckerberg, como personalidade do ano, questionar a técnica nociva com que a informação é transmitida pelo país de origem e reproduzida pelos demais grupos de mídia de plantão, a contragosto da opinião reinante na internet. Não há mais espaço para a falta de posicionamento crítico sobre as novas práticas de militância e ativismo político, que abundam hoje em dia nos meios virtuais. Contrapor-se à lógica valorativa da sociedade da informação, a qual premia as redes sociais e condena os movimentos de denúncia em ambiente colaborativo, é atualizar as táticas de ciberguerrilha e promover a defesa do interesse público em detrimento do nefasto consenso do silêncio proposto pelo mercado. O discurso retórico do potencial revolucionário da internet resume-se à propalada liberdade, a qual, na prática, evoca a mera participação, ou ainda, o consumo, afastando cada vez mais o protagonismo dos verdadeiros visionários.

Originalmente publicado em: Observatório da Imprensa

sábado, 27 de novembro de 2010

5º Seminário de Pesquisa CEPOS

Programação:08:30 – Abertura
Autoridades acadêmicas (internas e externas)

09:00 – Mesa 1: Digitalização e desenvolvimento
Expositor: Prof. Dr. Valério Cruz Brittos (UNISINOS)
Expositor: Prof. Dr. César Bolaño (UFS)
Expositor: Prof. Dr. Martín Becerra (UNQ) – Argentina
Mediador: Prof. Dr. Inácio Neutzling (UNISINOS)

10:45 – Exposição de livros do grupo (intervalo)

11:00 – Mesa 2: Inovação e movimentos
Expositor: Prof. Dr. Sérgio Augusto Soares Mattos (UFRB)
Expositor: Prof. Dra. Maria Trinidad Garcia Leiva (UC3M – Espanha)
Expositor: Prof. Ms. Luciano Correia dos Santos (UFS)
Mediador: Prof. Dr. César Steffen (FTEC)

12:30 – Almoço

14:00 – Mesa 3: Estratégias e conteúdos
Expositora: Profa. Dra. Sandra Reimão (USP)
Expositor: Ms. Andres Kalikoske (UNISINOS)
Expositor: Msto. Denis Gerson Simões (UNISINOS)
Expositora: Msta. Rafaela Barbosa (UNISINOS)
Mediador: Prof. Dr. Sérgio Endler (UNISINOS)

15:45 – Mesa 4. Audiovisual e cidadania

Expositor: Prof. Dr. Roberto Ramos (PUCRS)
Expositora: Profa. Dra. Jacqueline Dourado (UFPI)
Expositora: Ms. Carine Felkl Prevedello (UFSM)
Expositoras: Ms. Ana Maria de Oliveira (UNISINOS); Ms. Maíra Bittencourt (UNISINOS)
Mediadora: Profa. Suzana Kilpp (UNISINOS)

17:30 – Exposição de teses, dissertações e monografias do grupo (intervalo)

17:45 – Mesa 5. Sociedade e alternativas
Expositor: Prof. Dr. João Miguel (UEM – Moçambique)
Expositores: Prof. Dr. Bruno Lima Rocha Beaklini (UNISINOS); Ms. Rodrigo Jacobus (UFRGS); Rafael Cavalcanti Barreto (FITS)
Expositoras: Profa. Dra. Nadia Helena Schneider (Sec. Municipal de Educação Dois Irmãos); Profa. Ms. Paola Madeira Nazário (UNISINOS)
Expositor: Msto. Eduardo Menezes (UNISINOS)
Mediadora: Profa. Dra. Paula Puhl (FEEVALE)

19:15 – Encerramento (avaliação e planejamento)
Prof. Dr. Valério Cruz Brittos (UNISINOS)
Prof. Dr. Martín Becerra (UNQ)
Todos os participantes.

Mais informações: Clique AQUI

Escândalos políticos e barrigadas no processo eleitoral

No último dia 31 de outubro, teve fim mais um processo eleitoral no Brasil. A candidata petista, Dilma Rousseff, saiu vitoriosa não apenas nas urnas, mas também na sua relação com os meios de comunicação. Desde a redemocratização do país, em 1985, quando José Sarney assumiu a presidência da República e acabou o regime militar, percebe-se, mesmo com toda dificuldade imposta pela mídia, um amadurecimento da sociedade em períodos decisivos para os rumos nacionais. Ao mesmo tempo, momentos fundamentais para a vida política brasileira – como os anteriores às eleições, incluindo as definições internas de cada partido – são conformados longe dos olhos da maior parte dos eleitores e, para piorar, encobertos pelas lentes distorcidas dos grupos de comunicação hegemônicos.

Basta observar quais pautas estiveram em destaque nos canais de TV durante os dois meses e meio de campanha, como tais temáticas foram abordadas e, além disso, quem foram os protagonistas destes fatos, para perceber que, a disputa de 2010, se deu bem ao gosto dos canais comerciais, com factoides para todos os lados. As reportagens cômicas do Jornal Nacional (JN), ao fim favoráveis ao candidato tucano, José Serra, e as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Portal Terra, em repúdio a alguns órgãos de imprensa, contrastando com sua postura nos oito anos de governo, estão, ao menos, obrigando os meios de comunicação a assumir que têm lado.

Quebra de sigilo e tráfico de influência

A investida do PSDB para desqualificar sua principal adversária contou com a acusação à petistas pela quebra do sigilo fiscal da filha do candidato peessedebista, Verônica Serra. Uma manobra arriscada que rendeu acusações de ambos os lados, repercutiu no segundo turno e esquentou mais os ânimos entre os partidos. Na busca por alcançar a candidatura do PT, os tucanos miraram com força em Erenice Guerra, então ministra-chefe da Casa Civil. Antes de assumir esse cargo, ela atuava como secretária-executiva de Dilma, porém, após a acusação de tráfico de influência na Casa Civil, teve de ser afastada e execrada pelo governo. Os veículos de comunicação aliados à candidatura de Serra não fizeram nenhum esforço para demonstrar a propalada imparcialidade durante a cobertura dos fatos e, tão logo os ânimos se acirraram, o jornal Estado de S. Paulo, por exemplo, assumiu em editorial apoio inequívoco ao candidato do PSDB.

As agressões pessoais e as denúncias de irregularidades, envolvendo nomes próximos aos dois candidatos que despontaram para o segundo turno, passaram a ocupar o espaço das discussões, sobrepondo-se ao debate dos projetos políticos para o país. Ao invés de propostas, petistas e tucanos apresentaram suas imagens, tentando descolá-las de qualquer indício de participação nos casos investigados pela Justiça. O rebaixamento do discurso foi ruim para os dois lados, mas revelou-se ainda pior para a credibilidade da política nacional, pois o processo democrático acabou arranhado, mais uma vez, em função do debate egocêntrico dos candidatos e da cobertura cenográfica da mídia. É a política sem política, numa reconstrução pós-moderna dos processos de fixação dos rumos públicos.

Inversões e lavagem de dinheiro

O que os tucanos não queriam aconteceu. Após as denúncias da quebra de sigilo de Verônica Serra, as investigações da Polícia Federal (PF) intensificaram-se e descobriu-se que a ação poderia fazer parte de uma guerra interna do PSDB. O jornalista Amaury Ribeiro Júnior ganhou destaque na mídia e garantiu à PF que agia em nome do jornal Estado de Minas, o qual, supostamente, estaria defendendo o nome de Aécio Neves nas prévias tucanas, como candidato à presidência. Conforme o próprio jornalista, sua atuação opunha-se ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), o qual, a mando de Serra, faria o mesmo contra Aécio para assegurar a vitória de seu aliado numa possível disputa interna.

A exatos 11 dias antes da votação decisiva para o pleito presidencial, um despachante chamado Dirceu Garcia concedeu entrevista exclusiva ao repórter César Tralli, da TV Globo, confirmando que havia recebido dinheiro para intermediar todo o esquema. A reportagem tentou levantar suspeitas de que a quebra de sigilo estaria ligada à candidatura petista e não falou sobre o relatório Caribe, anexado ao inquérito da PF. A apuração feita por Ribeiro Júnior sobre a Operação Caribe deve render um livro chamado Os porões da privataria, no qual ele denuncia supostos crimes de lavagem de dinheiro e esquemas ilegais de financiamento durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Em meio aos escândalos, o trivial

As reportagens descontextualizadas acabam sendo de difícil compreensão e, até mesmo, pouco atraentes, para a média da população. Sendo assim, o JN investiu em outra matéria, também no dia 20 de outubro, fazendo referência a uma suposta agressão de militantes petistas ao candidato tucano. O episódio teve grande repercussão, contudo, não foi a esperada pela produção do telejornal. A entrevista com o médico Jacob Kligerman, falando sobre a necessidade de realizar uma tomografia em Serra, após ele ser atingido por um objeto, o qual, no dia seguinte, seria identificado pelo perito Ricardo Molina como um rolo de fita crepe, deu tons de comédia ao caso.

Assim os canais de televisão enfeitaram os últimos dias da campanha. O escárnio feito com a inteligência do público pode ter contribuído para afetar a relação entre maioria dos telespectadores, mídia hegemônica e resultado eleitoral. Os programas de transferência direta de renda do governo Lula e as ações que provocaram o atual surto de desenvolvimento do país (com uma enorme expansão da classe média) são motivadores mais fortes no processo eleitoral do que um conjunto de acusações mal explicadas. Na verdade, os avanços na área social asseguraram uma melhora de vida considerável na maior parte da população brasileira, apesar das críticas passíveis de serem feitas, e isso não pode ser negociado no nível das agressões editadas ou, ainda, das liberdades midiáticas pouco discutidas.

Originalmente publicado em: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cepos Debates chega a Pelotas

Atividade reuniu militantes de movimentos sociais e contou com o apoio da Rádiocom 104.5 FM e do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região

O Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Sociedade (Cepos) marcou presença em Pelotas no último sábado do mês de outubro, dia 30, véspera do segundo turno das eleições. O encontro ocorreu no Sindicato dos Bancários de Pelotas, tendo um bom quórum de participantes. A data não poderia ser mais propícia para o debate, pois a idéia do seminário era discutir a relação que se estabelece entre os donos da mídia e as forças políticas que atuam na sociedade nos dias de hoje. A proximidade com o pleito presidencial acabou rendendo boas análises de como estava ocorrendo a midiatização do processo eleitoral. Em clima de camaradagem e conversa franca, como é de praxe nos encontros promovidos pelo Cepos, todos puderam participar do debate, havendo espaço garantido para o contraditório, como pressupõe um bom embate de idéias.

Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), o grupo Cepos conta hoje com um total de 18 membros fixos, tendo como coordenador o professor Valério Cruz Brittos. Os encontros chamados de “Cepos Debates” ocorrem de forma descentralizada nas mais diversas regiões do Brasil, sobretudo nos lugares por onde transitam seus componentes. Alinhado a perspectiva da Escola de Frankfurt e tomando como um dos principais referenciais teóricos a Teoria Crítica, realizam-se discussões dentro e fora do ambiente acadêmico para ajudar a refletir, de forma sistemática, sobre o atual cenário das indústrias culturais e das políticas de comunicação no Brasil e no mundo.

Em Pelotas, os professores da Unisinos Valério Brittos e Bruno Lima Rocha, e o jornalista, Rodrigo Jacobus, utilizaram os estudos da Economia Política da Comunicação (EPC) como método de abordagem para pensar o direito à comunicação no Brasil. Brittos fez questão de enfatizar a importância de colocar teoria e prática para andarem lado a lado, “é preciso ultrapassar os limites institucionais e dialogar abertamente com os movimentos populares, pois o compromisso das pesquisas científicas é, sobretudo, um compromisso com a comunidade”, disse. Não só ele, como todos os pesquisadores presentes, ressaltaram a importância de deixar de lado as formalidades científicas e as titulações acadêmicas para, assim, permitir uma troca de conhecimento honesta. Segundo Rocha, “trata-se de um processo de construção mútua, cuja finalidade, principal, consiste na autonomia dos movimentos sociais ao desfraldarem, pela via direta, suas bandeiras de luta".

*Na foto acima estão sentados da esquerda para a direita: Bruno Lima Rocha (Unisinos), Valério Brittos (Unisinos), Rodrigo Jacobus (UFRGS) e José Luiz Moraes (RádioCom).

Fotos com os companheiros que ficaram até o final do evento













Créditos:
Banner do evento: criação de Andres Kalikoske
Fotos no corpo do texto: Carlos Alberto Brito Alves
Fotos de todo o grupo: Daniel Hammes (foto alinhada à esquerda), Eduardo Menezes ( foto alinhada à direita).

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Jogue uma bolinha de papel na televisão e lacre a saída de áudio com fita crepe!

O Jornal do Serra, digo, o Jornal Nacional (JN), veiculou uma reportagem ridícula nesta quinta-feira (21), digna de fazer crer que, além de um "papelão", o candidato tucano também estaria fazendo "fita". Alguém já ouviu falar de outra pessoa que precisou realizar uma tomografia por causa de um rolo de fita crepe lançado em sua cabeça?

Certamente a dor do tucano é outra. Ele não consegue crescer nas pesquisas, sua popularidade é infinitamente menor que a do atual presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, e, para piorar, sua mudança paradigmática de Zé caô para Zé do bem, só fez ele despencar na preferência do eleitorado, chegando cada vez mais perto de se tornar o Zé ninguém.

Sejamos francos, o JN já foi melhor em suas investidas sensacionalistas. Em defesa de seu candidato esquálido, o casal modelo, da mídia escrota, está ajudando a transformar qualquer resquício de democracia neste país em piada. Essas bizarrices, não vejo expressão melhor para definir tamanha falta de credibilidade com que estão pautando a política nacional, só faz a dita "grande mídia" conseguir mais adeptos para a campanha do "quanto pior melhor".

Tudo vira drama nas lentes das câmeras globais sedentas por um caso maniqueísta. É a trama perfeita para um dramalhão, e disso, não tem como discordar, a Globo entende bem. Acontece que ninguém mais acha Fantástico o Jornal Nacional promover o maior ti-ti-ti para defender uma caricatura da velha política nacional. Que tanto medo a Rede pró-Golpe de 1964 tem de mais um governo petista? Se não sofreram nenhum arranhão em sua hegemonia nestes oito anos, por que sofreriam agora? Isso tudo é ódio de classe?

Estão com medo das proposições aprovadas na Confecom? Da regulamentação dos meios de comunicação? A idéia de um controle social da mídia os assusta? Não basta os ministros das Comunicações que passaram pelo Governo Lula serem, todos eles, de uma forma ou de outra, identificados com a Globo e com as forças políticas responsáveis pelo golpe militar no Brasil? O plim plim está ficando cada vez mais receoso de piscar para o público. Este, agora começa a agir como se despertasse de uma hipnose, na qual, esteve imerso 45 anos. Que curioso, o mesmo número do candidato da emissora.

Já não dá mais para dizer que "a gente" se vê por aqui, pois, lá e cá, ou, em qualquer lugar, o que se vê é o império da família Marinho começar a ruir. Não estou sendo otimista demais não. Quando se deixa de eleger o seu candidato, mesmo não existindo uma oposição verdadeiramente determinada em acabar com a sua "festinha", leia-se retirar a concessão pública do canal por estar sendo mal utilizada, percebe-se uma pequena rachadura na base de sustentação dessa hegemonia.

Tempo e dinheiro para manusear as forças responsáveis pelo conserto desta estrutura os globais têm, no entanto, parece estar começando a lhes faltar o que Roberto Marinho tinha de sobra, ou seja, influência e adaptação à política de turno. As relações de poder, nestes tempos em que um ex-líder sindical é o homem mais importante do país, confrontam-se diretamente com os símbolos do passado. Nesse contexto, os ex-exilados intelectuais e hipocondríacos, metidos a querer gerenciar os programas assistencialistas, não passam de genéricos prolixos com crise de identidade e em fase de extinção.

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