Inevitavelmente estou a escrever. Desta vez, no entanto, sem a obrigação de discorrer sobre algum tema da área de conhecimento científico que escolhi como profissão. Aliás, a ideia inicial deste blog era essa. Adesão, inicialmente interpretada como forçada e, paulatinamente, identificada como voluntária, ao exílio. Exilar-se foi a maneira encontrada para falar sobre o que me viesse à cabeça; sem regras, prazos e assuntos previamente estabelecidos. O objetivo, se é que precisaria haver algum, era, única e exclusivamente, acalentar a minha dupla compulsividade: pela escrita e pela crítica.
Aliado a isso, é claro, estabelecer nexos entre o mundo material e o conhecimento teórico, originados pela militância política e pelos estudos de comunicação. Nunca tive a pretensão de fazer deste espaço um canal destinado à leituras massivas, por isso a escolha pelo nome "Exílio Midiático". No entanto, a falta de tempo para me dedicar a proposta inicial fez com que muitos dos textos, escritos no âmbito acadêmico, fossem reproduzidos neste blog. Deste modo, ao menos não o deixei atirado às moscas.
Hoje, todavia, resolvi colocar um ponto final em mais esta etapa que se encerra. Cheguei a pensar em fazer alguns desabafos, mas, para isso, existem ambientes mais propícios (e, certamente, mais lúdicos). Desde criança sinto uma imensa vontade de devorar tudo o que se coloca como inevitável em minha trajetória de vida. Tal qual dizia Neruda, "sou onívoro de sentimentos, de seres, de livros, de acontecimentos e de lutas".
Assim sendo, sempre que um ciclo é fechado - falo isso em referência ao término do curso de Mestrado em Ciências da Comunicação na Unisinos (em uma óbvia menção ao poema de Fernando Pessoa) - começam a surgir novas inquietações. É um desassossego que dificulta a sensação plena de dever cumprido e, por vezes, pode ser nocivo; fazendo-me pensar: quais seriam os motivos que me levam a ter essa dificuldade em relaxar mesmo após completar uma jornada?
Nesses momentos, uma fala muito particular, de um pensador que admiro muito, tem se interposto em meus pensamentos. Não costumava dar muita atenção a ela, mas, pouco a pouco, está conseguindo direcionar o caminho por onde começo a seguir:
"Entregue-se, sem vergonha e sem sentimentos de culpa, às delícias do ócio. Aprenda a andar sem ter de chegar a lugar algum, simplesmente gozando o mundo que nos cerca! Faça o fantástico turismo gratuito dos livros. Você irá a tempos e lugares aonde avião algum pode chegar. Há também o mundo maravilhoso da música. Lembro-me do senhor Américo, que, nos seus 85 anos, descobriu a beleza da música clássica e a ela se entregou até a morte, como se ela fosse uma amante" (Rubem Alves).
Um comentário:
Bem legal essa frase do Rubem Alves. Eu também sou do tipo que não consegue ficar parado e imagino a tua sensação. Além do mais, por mais que etapas acadêmicas se encerrem, como bem sabemos, os problemas que tanto debatemos e discutimos continuam por aí.
Boas próximas jornadas, sejam de ócio ou de mais batalhas pela frente!
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